Meu mundo, minhas ideias, EU!

É curioso observar a expressão de espanto das pessoas quando contamos que estamos vivendo há tanto tempo juntos. Ainda permanece no entendimento coletivo a ideia de que somos superficiais, efêmeros, promíscuos e desprovidos da capacidade de amar e nos casarmos.
Como ocorre com a maioria dos jovens, sonhamos encontrar nosso príncipe encantado e vivermos felizes para sempre. O ideal de busca do amor eterno continua a atormentar jovens e adultos e a provocar esse triste sentimento de solidão e fracasso aos que ainda não encontraram sua metade da laranja. Isso não é uma exclusividade do amor heterossexual, nem tampouco daqueles que gozam do direito de legalmente poderem se casar.
São inúmeros os casais homossexuais que constroem uma vida feliz juntos, contra as mais pessimistas previsões baseadas nas falhas habituais dos casamentos heterossexuais que conhecemos. E talvez esteja exatamente aí o equivoco, tanto daqueles que nos olham quanto de nós mesmos que buscamos incansavelmente nosso pote de ouro além do arco-íris.
Fracassam as tentativas de se estabelecer uma relação gay duradoura quando baseada nos padrões heterossexuais de divisão de papéis de gênero. Numa relação homossexual, ninguém está representando o papel do gênero oposto: ou estamos falando de duas mulheres ou dois homens encarregados de construir e entender como funciona essa nova família. E isso não nos isenta de fracassos, mas sem dúvida seus motivos não se localizam na homossexualidade em si, mas, sim, nos próprios equívocos presentes nessa busca incessante pelo parceiro ideal, seja macho ou fêmea.
Apesar de ainda desacreditadas, as relações entre pessoas do mesmo sexo são cada vez mais comuns e têm se apresentado como uma proposta alternativa de construção de um ideal de família harmoniosa e feliz, onde o estar junto se baseia única e exclusivamente no prazer da convivência e no amor. Se por um lado conseguimos nos livrar dos conflitos causados pelas diferenças de gênero, por outro trazemos à tona as disputas oriundas de uma relação entre iguais, onde o fato de ser homem ou ser mulher não significa o ponto final nas celeumas: somos todos iguais nessa noite, e as diferenças entre o masculino e o feminino não servem como panaceia para nossos entreveros.
Sim, sonhamos e desejamos encontrar alguém que esteja ao nosso lado quando a velhice chegar. A solidão só nos serve quando optamos por ela, não quando ela nos é imposta. Nesse sentido, é no mínimo humano apoiar e torcer para que cada um de nós encontre a sua tampa da panela, mesmo contra as mais conservadoras reações.

Oswaldo Braga
http://oswaldobraga.spaces.live.com
http://obraga.blogspot.com/
www.mgm.org.br

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